segunda-feira, 12 de julho de 2010


Agatha Christie também escreveu sobre o Natal. O livro "A Aventura do Pudim de Natal" (The Adventure of the Christmas Pudding), publicado em 1960, contém 6 histórias curtas (com Hercule Poirot e Miss Marple) e é a primeira história que dá nome ao livro.
Hercule Poirot é convidado (intimado) por pessoas do Governo, a passar um Natal no campo inglês para investigar um grave problema de Estado.
Ele não fica entusiasmado com a idéia de passar os feriados do Natal numa mansão inglesa do século XIV mas é convencido pela promessa de aquecimento central e água quente nos quartos.
A proprietária de Kings Lacey é a Sra. Lacey que aceita a presença de HP como um favor a uma querida amiga e, aparentemente, não está a par dos reais motivos da visita dele. Enquanto conversa com seu hóspede a Sra. Lacey embainha panos de prato e fala dos seus problemas com a neta rebelde.
A descrição da Ceia de Natal, com sua culinária, no mínimo curiosa, é uma mostra do humor inglês de AC.
(continua)

sexta-feira, 9 de julho de 2010


Sempre ocupada com seu tricô, Miss Marple observa o mundo a seu redor, tão diferente da sua pequena aldeia de St.Mary Mead. Ela chega a reclamar que alí não acontece nada, é tudo muito igual e parado.
Felizmente, para Miss M. , os acontecimentos se precipitam e ocorrem mortes, aparentemente natural (a primeira), mas muito suspeita para uma veterana conhecedora de crimes e criminosos.
Bisbilhoteira como sempre, ela procura informações e usa subterfúgios ao inquirir o médico local: usa os seus joelhos para, numa consulta, sondá-lo a respeito da vítima. Os joelhos de Miss M. estão sempre "na dela", como pretexto. Como os meus que, doem muito (sempre), mas me permitem usá-los como desculpa para não ir a certos lugares maçantes.
No desenrolar da trama, Miss M. faz amizade com um senhor bem ranzinza e muito rico que, mais tarde, vai proporcionar a ela uma bela e rentável aventura. Gostaria de ver surgir em minha vida um senhor Rafiel!

Miss Marple tem um sobrinho que realmente gosta dela e está sempre disposto a agradar a querida tia Jane. Neste livro, "Mistério no Caribe" (A Caribbean Mystery), escrito em 1964, ela ganha uma viagem até uma das ilhas do Caribe (St. Honório) para passar umas semanas num hotel de sonho, numa ilha de sonho: muito sol, calor agradável, mar azul, praias maravilhosas.
O hotel é chic, os hóspedes são ricos e quase todos de mais idade, pois os jovens estão estudando ou trabalhando e ainda não podem pagar esses luxos.
Miss M. recebe da mulher de seu sobrinho um cheque para comprar roupas "de verão", próprias para aquele clima, mas essas roupas não são para ela. Ela usa, ao jantar, o traje adequado às senhoras inglesas no exterior: renda cinza. Essa é a vantagem de sermos velhos, podemos usar, todos os dias, a mesma roupa que ninguém vai reparar - afinal ninguém repara em mulher velha, somos invisíveis.
A idéia de Agatha Christie sobre o dia-a-dia de uma ilha tropical é muito limitada e ela fica só com o que conhece bem: os hóspedes do hotel.
(continua)

quinta-feira, 8 de julho de 2010


Uma jovem de 21 anos, recém-casada, chega, sozinha, à Inglaterra - onde ela nunca esteve. Aluga um carro e sai procurando uma casa para comprar, na costa sul do país, enquanto espera seu marido, ainda trabalhando longe dela.
Como são ousadas as moças inglesas! É claro que ela tem dinheiro e o carro (um Daimler) é alugado com motorista. Esse livro "Um Crime Adormecido" (Sleeping Murder) foi escrito na década de 40 e princípio dos anos 5o - uma personagem exibe, na sua sala, retratos do rei Jorge VI e das princesas Elizabeth e Margaret Rose o que coloca a ação antes da coroação de Elizabeth II, em 1953.
As casas inglesas, sempre com nomes (neste livro são citadas Hillside, Galls Hill, Calcutá Lodge, Antel Manor.... ) que são usados como referência postal.
Uma dessas casas desperta lembranças a jovem que resolve investigar um possivel assassinato, acontecido há 18 anos, sem pensar nas consequências dessa viagem ao passado.
Miss Marple, por acaso envolvida na história, é a voz sensata nessa aventura perigosa e conduz as investigações de forma meticulosa ajudando os jovens amadores até à conclusão final.
A justiça precisa ser feita, os inocentes merecem uma reparação e o mal não pode ficar impune.
Uma cena chama a minha atenção: batatas sendo fritas e postas a secar em folhas de jornal! E eles gostam.

terça-feira, 6 de julho de 2010


Agatha Christie aproveitava todo e qualquer assunto, alguns em profundidade e de outros ela faz apenas referência. Não é o tema central do livro, mas mostra que ela está atenta ao que acontece no mundo.
Assim ela fala de cartas anônimas ("A mão misteriosa"), cocaina (alguns usam, mas ela não enfatiza o assunto), bridge (quase todos os seus personagens jogam pelo menos uma vez ou outra. Mais em ("Cartas na Mesa"), louras burras (não se destacam pela inteligência - "Cavalo Amarelo" - e em alguns contos), doenças (bócio, em "Convite para um homicídio"; perda de olfato, em "Poirot perde uma cliente"), militares reformados de volta para casa: chatos, desajustados, com histórias intermináveis. Mas alguns são charmosos e despertam interesse nas mulheres em busca de marido. Ex: Cel Race), tinteiro, pena e mata-borrão: peças de época, polainas (Poirot usava polainas), impostos: grande vilão a comer as economias dos ingleses principalmente no pós-guerra, quadrilhas (de leve, em "Os Quatro Grandes"), cigarros (todo mundo fumava naqueles tempos, todo mundo oferecia cigarros às visitas) e até sequestro em aviões ! ("Passageiro para Frankfurt")
(continuo qualquer hora).

sexta-feira, 2 de julho de 2010

No Cavalo Amarelo o personagem principal, um historiador, homem culto e sensato, decide investigar as mortes por "forças ocultas" sem ligar para o perigo de desafiar três bruxas e suas encenações ridículas. Os crimes, na verdade, acontecem conforme um plano bem elaborado de um homem, organizador de uma rede criminosa mas, ele mesmo uma pessoa medíocre. Sua ânsia de aparecer, de ser reconhecido como "alguém" levá-o à perdição.
Para nós, hoje, o método empregado não daria certo, temos dificuldade em deixar entrar um desconhecido em nossa casa e muito menos que chegue ao banheiro. Mas há os crédulos e sempre o criminoso pode dar um jeito.
AC, mais uma vez, usa o veneno como arma do crime (nesse caso é o tálio) e nos mostra que pessoas comuns também podem resolver crimes.

"O Cavalo Amarelo" (The Pale Horse) foi o primeiro livro policial que minha sobrinha Beatriz leu, há muitos anos passados, e despertou nela uma admiração especial pelo gênero e pela autora que permanece até hoje.
Agatha Christie escreveu esse livro em 1961 quando já estava com 70 anos de idade e com o mesmo frescor dos primeiros anos.
A personagem Ariadne Oliver, calcada na própria Agatha, está com a corda toda. Suas tiradas são ótimas: para justificar um telefonema ela apresenta, em instantes, quatro motivos razoáveis e convenientes (pedir o endereço da loja que vende aquele caviar divino, pedir o endereço da milionária que quer restaurar um quadro, devolver um lenço que a moça emprestou no dia que correu sangue de seu nariz.....) e seu comentário sobre a reencarnação (por que uma pessoa velha, feia e pobre não se reencarna? São sempre princesas egípcias ou escravas babilônias) é o tipo de comentário que eu mesma sempre faço.
Naquela época o espiritismo estava na moda e AC aproveita para criar uma série de mortes aparentemente causadas por uma ordem dos espíritos.
(continua)