quinta-feira, 8 de julho de 2010


Uma jovem de 21 anos, recém-casada, chega, sozinha, à Inglaterra - onde ela nunca esteve. Aluga um carro e sai procurando uma casa para comprar, na costa sul do país, enquanto espera seu marido, ainda trabalhando longe dela.
Como são ousadas as moças inglesas! É claro que ela tem dinheiro e o carro (um Daimler) é alugado com motorista. Esse livro "Um Crime Adormecido" (Sleeping Murder) foi escrito na década de 40 e princípio dos anos 5o - uma personagem exibe, na sua sala, retratos do rei Jorge VI e das princesas Elizabeth e Margaret Rose o que coloca a ação antes da coroação de Elizabeth II, em 1953.
As casas inglesas, sempre com nomes (neste livro são citadas Hillside, Galls Hill, Calcutá Lodge, Antel Manor.... ) que são usados como referência postal.
Uma dessas casas desperta lembranças a jovem que resolve investigar um possivel assassinato, acontecido há 18 anos, sem pensar nas consequências dessa viagem ao passado.
Miss Marple, por acaso envolvida na história, é a voz sensata nessa aventura perigosa e conduz as investigações de forma meticulosa ajudando os jovens amadores até à conclusão final.
A justiça precisa ser feita, os inocentes merecem uma reparação e o mal não pode ficar impune.
Uma cena chama a minha atenção: batatas sendo fritas e postas a secar em folhas de jornal! E eles gostam.

terça-feira, 6 de julho de 2010


Agatha Christie aproveitava todo e qualquer assunto, alguns em profundidade e de outros ela faz apenas referência. Não é o tema central do livro, mas mostra que ela está atenta ao que acontece no mundo.
Assim ela fala de cartas anônimas ("A mão misteriosa"), cocaina (alguns usam, mas ela não enfatiza o assunto), bridge (quase todos os seus personagens jogam pelo menos uma vez ou outra. Mais em ("Cartas na Mesa"), louras burras (não se destacam pela inteligência - "Cavalo Amarelo" - e em alguns contos), doenças (bócio, em "Convite para um homicídio"; perda de olfato, em "Poirot perde uma cliente"), militares reformados de volta para casa: chatos, desajustados, com histórias intermináveis. Mas alguns são charmosos e despertam interesse nas mulheres em busca de marido. Ex: Cel Race), tinteiro, pena e mata-borrão: peças de época, polainas (Poirot usava polainas), impostos: grande vilão a comer as economias dos ingleses principalmente no pós-guerra, quadrilhas (de leve, em "Os Quatro Grandes"), cigarros (todo mundo fumava naqueles tempos, todo mundo oferecia cigarros às visitas) e até sequestro em aviões ! ("Passageiro para Frankfurt")
(continuo qualquer hora).

sexta-feira, 2 de julho de 2010

No Cavalo Amarelo o personagem principal, um historiador, homem culto e sensato, decide investigar as mortes por "forças ocultas" sem ligar para o perigo de desafiar três bruxas e suas encenações ridículas. Os crimes, na verdade, acontecem conforme um plano bem elaborado de um homem, organizador de uma rede criminosa mas, ele mesmo uma pessoa medíocre. Sua ânsia de aparecer, de ser reconhecido como "alguém" levá-o à perdição.
Para nós, hoje, o método empregado não daria certo, temos dificuldade em deixar entrar um desconhecido em nossa casa e muito menos que chegue ao banheiro. Mas há os crédulos e sempre o criminoso pode dar um jeito.
AC, mais uma vez, usa o veneno como arma do crime (nesse caso é o tálio) e nos mostra que pessoas comuns também podem resolver crimes.

"O Cavalo Amarelo" (The Pale Horse) foi o primeiro livro policial que minha sobrinha Beatriz leu, há muitos anos passados, e despertou nela uma admiração especial pelo gênero e pela autora que permanece até hoje.
Agatha Christie escreveu esse livro em 1961 quando já estava com 70 anos de idade e com o mesmo frescor dos primeiros anos.
A personagem Ariadne Oliver, calcada na própria Agatha, está com a corda toda. Suas tiradas são ótimas: para justificar um telefonema ela apresenta, em instantes, quatro motivos razoáveis e convenientes (pedir o endereço da loja que vende aquele caviar divino, pedir o endereço da milionária que quer restaurar um quadro, devolver um lenço que a moça emprestou no dia que correu sangue de seu nariz.....) e seu comentário sobre a reencarnação (por que uma pessoa velha, feia e pobre não se reencarna? São sempre princesas egípcias ou escravas babilônias) é o tipo de comentário que eu mesma sempre faço.
Naquela época o espiritismo estava na moda e AC aproveita para criar uma série de mortes aparentemente causadas por uma ordem dos espíritos.
(continua)

quarta-feira, 30 de junho de 2010


Outro livro curto (173 páginas) e poucos personagens: "Seguindo a Correnteza" (Taken at the Flood) é de 1948 e o tema é a acomodação em que as pessoas vivem na certeza de que suas vidas estão estabilizadas e basta seguir a correnteza.
Mas, na verdade , não estão. Um acontecimento muda tudo de um dia para outro e é preciso encarar a realidade. A vida mansa era precária e agora todos estão sem saber o que fazer para pagar suas contas. Não que eles fossem parasitas, eles tinham suas carreiras, mas foram acostumados a contar com "algo mais" que, de repente, acabou.
As três mortes do livro são, conforme dedução e explicação de H.P., um acidente, um suicídio e um assassinato e, até chegar a essa conclusão ele deixa a polícia tonta com suas idas e vindas.
A.C. aproveitava tudo o que acontecia ao seu redor e, neste caso, são as confusões que os bombardeios que atingiram Londres, na 2a. guerra, causaram na vida da cidade e das pessoas.
Como todos sabem, uma conduta heróica na guerra nem sempre indica um correto cidadão em tempos de paz.

terça-feira, 29 de junho de 2010


Um dos livros que AC escreveu aproveitando sua experiência de vida no Iraque , em 1938, é "Encontro com a Morte" (Appointment with Death) e nele encontramos uma personagem odiosa, uma velha sádica, o tipo de pessoa que está pedindo para ser assassinada.
O crime acontece numa excursão turística à antiga cidade de Petra, na Jordânia e os envolvidos, como sempre, são poucos: cinco familiares e cinco estranhos.
Hercule Poirot é convidado a conduzir as investigações e concentra-se no estudo psicológico da vítima. Hoje, em qualquer série policial de TV, o primeiro passo é a vitimologia.
A profissão de uma pessoa é capaz de conduzir a um tipo de comportamento ou o comportamento é que conduz alguém a determinada profissão? Quem escolhe viver perigosamente não pode reclamar do que lhe acontece.
No fim, AC tem um momento romântico : quatro casamentos felizes..... e um funeral para equilibrar.

segunda-feira, 28 de junho de 2010


A julgar pela informação do meu exemplar, AC estava com 82 anos quando escreveu "Os Elefantes não Esquecem" (Elephantes can Remember), em 1972. O enredo trata de gêmeas, militares e perucas e os personagens têm um passado nas colônias inglesas pelo mundo afora (no caso, a Malásia).
A Sra. Ariadne Oliver, nas primeiras páginas, parece a própria AC, angustiada por ter de comparecer a um almoço em sua homenagem. Tímida e avessa a comemorações ela hesita na hora de escolher o que vestir e qual o chapéu usar. Naquele tempo, ficamos sabendo, havia chapéus destinados a casamentos pois era inconcebível aparecer num casamento de cabeça descoberta. Hoje, por aqui, os trajes usados nos casamentos são, quase, inimaginaveis.
AO e HP são novamente parceiros neste livro e mergulham numa investigação de um suposto crime acontecido há 12 anos.
E descobrem o que aconteceu e o que estava acontecendo. Mais uma vez, há dinheiro em jogo.