quarta-feira, 30 de junho de 2010


Outro livro curto (173 páginas) e poucos personagens: "Seguindo a Correnteza" (Taken at the Flood) é de 1948 e o tema é a acomodação em que as pessoas vivem na certeza de que suas vidas estão estabilizadas e basta seguir a correnteza.
Mas, na verdade , não estão. Um acontecimento muda tudo de um dia para outro e é preciso encarar a realidade. A vida mansa era precária e agora todos estão sem saber o que fazer para pagar suas contas. Não que eles fossem parasitas, eles tinham suas carreiras, mas foram acostumados a contar com "algo mais" que, de repente, acabou.
As três mortes do livro são, conforme dedução e explicação de H.P., um acidente, um suicídio e um assassinato e, até chegar a essa conclusão ele deixa a polícia tonta com suas idas e vindas.
A.C. aproveitava tudo o que acontecia ao seu redor e, neste caso, são as confusões que os bombardeios que atingiram Londres, na 2a. guerra, causaram na vida da cidade e das pessoas.
Como todos sabem, uma conduta heróica na guerra nem sempre indica um correto cidadão em tempos de paz.

terça-feira, 29 de junho de 2010


Um dos livros que AC escreveu aproveitando sua experiência de vida no Iraque , em 1938, é "Encontro com a Morte" (Appointment with Death) e nele encontramos uma personagem odiosa, uma velha sádica, o tipo de pessoa que está pedindo para ser assassinada.
O crime acontece numa excursão turística à antiga cidade de Petra, na Jordânia e os envolvidos, como sempre, são poucos: cinco familiares e cinco estranhos.
Hercule Poirot é convidado a conduzir as investigações e concentra-se no estudo psicológico da vítima. Hoje, em qualquer série policial de TV, o primeiro passo é a vitimologia.
A profissão de uma pessoa é capaz de conduzir a um tipo de comportamento ou o comportamento é que conduz alguém a determinada profissão? Quem escolhe viver perigosamente não pode reclamar do que lhe acontece.
No fim, AC tem um momento romântico : quatro casamentos felizes..... e um funeral para equilibrar.

segunda-feira, 28 de junho de 2010


A julgar pela informação do meu exemplar, AC estava com 82 anos quando escreveu "Os Elefantes não Esquecem" (Elephantes can Remember), em 1972. O enredo trata de gêmeas, militares e perucas e os personagens têm um passado nas colônias inglesas pelo mundo afora (no caso, a Malásia).
A Sra. Ariadne Oliver, nas primeiras páginas, parece a própria AC, angustiada por ter de comparecer a um almoço em sua homenagem. Tímida e avessa a comemorações ela hesita na hora de escolher o que vestir e qual o chapéu usar. Naquele tempo, ficamos sabendo, havia chapéus destinados a casamentos pois era inconcebível aparecer num casamento de cabeça descoberta. Hoje, por aqui, os trajes usados nos casamentos são, quase, inimaginaveis.
AO e HP são novamente parceiros neste livro e mergulham numa investigação de um suposto crime acontecido há 12 anos.
E descobrem o que aconteceu e o que estava acontecendo. Mais uma vez, há dinheiro em jogo.

sábado, 26 de junho de 2010


Um crime, ou melhor, dois crimes cometidos na frente de muitas pessoas, num restaurante de luxo, e ninguem vê nada. "Um Brinde de Cianureto" (Croocked Cynamide), escrito em 1944, traz de volta um personagem de outros livros de AC (Coronel Race), o sucessor, na Scotland Yard, do Superintendente Battle (Inspetor-chefe Kemp) e um jovem misterioso cuja identidade só é revelada no final.
Ao apresentar quatro das cinco mulheres do livro AC, em poucos parágrafos, nos dá um retrato de corpo inteiro de cada uma delas e todas, com exceção da morta, claro, pode ter sido a assassina - não importa qual o motivo.
Passe de mágica ou não, AC sempre tem uma resposta simples e lógica que nos deixa desconcertados por não ter deduzido como aconteceu o crime.
Anos e depois, em outro livro, ela vai usar o mesmo recurso e também na frente de todo mundo.
Quanto ao motivo do crime, mais uma vez, é o mais elementar: dinheiro.

sexta-feira, 25 de junho de 2010


Agatha Christie dizia gostar desse livro "A Casa Torta" (Croocked House), escrito em 1949 e apresentando um criminoso e um motivo para o crime bem diferente de todos os que ela já havia escrito.
Na casa torta vivia uma família comum (só que com muito dinheiro) e seus moradores são os personagens do livro sendo que um deles é o assassino.
O patriarca (dominador) tem 85 anos, sua segunda mulher (5o anos mais nova), seus dois filhos (acomodados), suas noras (revoltadas), sua cunhada dedicada, uma velha empregada, os três netos ansiosos e um jovem professor das crianças (muito fraco para ter ido à guerra) - todos vivendo rodeados de muito amor, muito dinheiro e nenhuma liberdade para tocar suas próprias vidas.
O dinheiro dá às pessoas que o tem o poder sobre os demais, compra submissão mas nem sempre compra o amor.
A polícia não consegue resolver o crime que não é cometido por quem, obviamente, devia tê-lo feito: a esposa mais nova. É preciso que um dos membros da família tome a inicativa de esclarecer tudo para consertar a casa torta.

quinta-feira, 24 de junho de 2010


Hercule Poirot nunca havia lido os clássicos, não conhecia a mitologia grega apesar de ter o nome de um semi-deus grego elevado à morada dos deuses (o Olimpo).
Desafiado e estando perto da aposentadoria resolve finalizar sua carreira resolvendo casos que lembrassem, simbolicamente, os doze trabalhos do Hercules grego.
"Os Trabalhos de Hercules" (The Labors of Hercules) contem 12 histórias curtas, escritas não ao mesmo tempo (de 1939 a 1947) e editadas não sei quando.
São todas muito pertinentes e a analogia está bem feita. A primeira história (O Leão da Neméia) é tão delicada e sua personagem - uma dama de companhia velhusca e meio tola - que conquistou minha simpatia desde a primeira vez que li o livro.
Conheço tantas Miss Carnaby, hoje e aqui perto de mim, que seu drama me deixa emocionada.
Pobres damas de companhia, incompetentes e sem perspectivas de um futuro seguro quando não puderem mais trabalhar. Mas também conheço senhoras, ricas e apaixonadas por seus cachorrinhos de estimação sempre a lhes dar despesas.
Felizmente, essas senhoras têm um olhar de compaixão para suas empregadas quando elas ficam inúteis e gestos de solidariedade para com essas pobres criaturas. HP é vitorioso em todos os trabalhos propostos mas, é claro, não é dessa vez que ele vai se aposentar.

quarta-feira, 23 de junho de 2010


A hora zero é o momento em que acontece o principal e há muito esperado: um crime é cometido! Mas até chegar a essa hora são muitos os procedimentos, preparativos, planos, tudo para se chegar à hora zero.
Escrito em 1944, "Hora Zero" (Towards Zero) é um livro pequeno (158 páginas), com apenas onze personagens, mas tem tudo para nos encantar com a trama bem urdida e amarradinha.
O detetive é da Scotland Yard, o Superintendente Battle, que mesmo de férias resolve o caso quase que com um "pé nas costas".
O livro é o mundo de AC: mansão isolada, criadagem fiel (destaque para a criada de quarto), hóspedes costumeiros (como as pessoas se hospedam na casa dos outros, parece que nem ficam em suas próprias casas), diálogos rápidos, concisos e reveladores.
AC não era de muitas descrições mas, em poucas palavras, traça retratos perfeitos e seus diálogos são um ponto forte.
O criminoso leva meses preparando um plano perfeito (de abril até setembro) para a execução de seu crime mas não conta com o imponderável: é por isso que não há crime perfeito.