terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Estive sem computador quase uma semana, agora estou de mudança e absolutamente sem tempo para minha querida Agatha.
Ela dizia gostar de mudar de casa. Comprava, reformava, decorava, morava algum tempo, vendia - era quase uma mania.
Eu já mudei de casa várias vezes, desde a infância (acho que já morei em onze casas), mas agora estou me sentindo exausta com essa nova empreitada. Depois eu conto mais.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Agatha Christie não tinha muita simpatia pelas mulheres futeis e inuteis. Suas herdeiras não recebem compaixão e, ao contrário, as mulheres lutadoras são alvo de sua admiração. A cabelereira de Morte nas Nuvens, a enfermeira de Morte na Mesopotâmia e muitas outras são desse tipo.
No livro Morte no Nilo, AC nos apresenta uma variedade de mulheres, cada uma representativa de sua classe:
1- a herdeira rica, mimada e que pega tudo o que lhe interessa sem ligar para o outro;
2- a apaixonada doentia que também não vê o próximo, só pensa em si mesma;
3- a escritora de livros eróticos e, por isso, marginalizada pela moral da época. Esconde sua mágoa na bebida;
4- sua filha abnegada e disposta a tudo para preservar o que resta de dignidade em sua mãe;
5- a mãe dedicada ao extremo a seu filho único que ela sabe ser um inutil;
6- a americana, velha e rica, que expressa bem o tipo de cidadão americano que o mundo odeia. Despreza e pisa em todos ao seu redor. Pensa que é dona do mundo;
7- a parente pobre (já foi rica), mas de boa índole, coração meigo, obediente e, no fim, premiada: dois pretendentes e a coragem de escolher segundo o seu coração;
8- a acompanhante (enfermeira) da ricaça: competente, sabe o que tem a fazer e faz seu trabalho bem feito;
9- a criada francesa, símbolo da mulher ambiciosa e burra. Se dá mal, é claro.
AC usava poucos personagens, nove mulheres num só livro é uma façanha e tanto.

domingo, 14 de novembro de 2010

Quando começo a ler um livro gosto de saber o local (cidade) onde transcorre a ação. Os livros de Agatha Christie, quase todos, são ambientados na Inglaterra, uns poucos no Oriente Médio, alguns na França, na Africa do Sul, ilha do Caribe, Egito.... Há até um passado no Egito Antigo!
Mesmo na Inglaterra gosto de me situar e saber onde ficam as aldeias citadas. Procuro até no mapa.
Ler é viajar sem sair de casa. Visitamos e conhecemos um pouco de Torquay, Dartmoor, Devon, Dorchester, Dover, Calais e, claro, Londres. E vamos a Paris, Riviera Francesa, uma ilha ensolarada no Caribe, navegamos pelo Rio Nilo, viajamos com o Orient Express e vamos a muitos e muitos outros lugares em seus inúmeros contos.
Ainda na semana passada li um bom livro policial que, desconfio, é passado na Italia (o autor é italiano) mas o nome da cidade não é mencionado e não identifiquei qualquer bairro ou rua.
Até o nome dos personagens não me ajudou : Vasquez, Boris, Stern, Gavilla, Sarah, Roche, Rockford, Birmann, Clarisso - uma salada. Mas o livro é bom embora violento o que deixaria Hercule Poirot desconcertado. Muito sangue.

sábado, 6 de novembro de 2010

Depois de uma semana de abstinência de Internet continuo com minhas lembranças dos trens em Agatha Christie. Ela também falava das pequenas viagens pelo interior da Inglaterra, principalmente as viagens das 5as. feiras quando a tarifa era reduzida e as pessoas iam a Londres para fazer compras.
Os trens diários que ligam praticamente todas as cidades inglesas são cenários sob medida para A.C. No trem das 4:50 que sai de Paddington, alguém vê um crime ser cometido e torna-se, assim, a Testemunha Ocular do Crime quando dois trens, por poucos minutos, correm paralelos.
Outro detalhe acerca dos trens: quase todo mundo viajava de 2a. classe (a 3a. classe era para os mais pobres) e a 1a. era privilégio dos muito ricos ou esnobes.
Em criança eu viajei muito de trem, morava em Minas Gerais e visitava minha avó, no Rio, várias vezes no ano. Eram viagens maravilhosas, com minha mãe enjoando o tempo todo. Nos últimos anos fiz alguns passeios no que restou de trens de passageiros - Curitiba/Paranaguá, Angra dos Reis, Miguel Pereira.... Turismo.... Não é a mesma coisa, mas dá para o gasto.

sábado, 30 de outubro de 2010

Agatha Christie, como eu, amava os trens e, em seus livros, percebemos o quanto ela gostava deles. Um dos mais famosos de seus livros é passado no trem de luxo - Orient Express - que ligava, naquele tempo, Londres/Paris indo até Constantinopla. Hoje, parece-me, diminuiu esse percurso .
Em 1988 tirei uma foto na plataforma da Victoria Station tendo, ao fundo, os vagões desse trem lendário. Viajar no Orient Express é, até hoje, um dos meus sonhos de consumo .
Também no trem que liga Paris à Riviera Francesa - o Trem Azul - acontece um crime. A.C. diz, em sua auto-biografia, que não gostava desse livro, mas eu gosto. Meio irreal, mas nos faz sonhar com essa história de mulher pobre, não muito jovem, que encontra o amor já no "outono da vida". Muito romântico. Viajar de trem é romântico.
Os trens diários que ligam cidades inglesas também são cenários para A.C. nos fazer viajar neles. Amanhã eu continuo.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Quando começo a ler qualquer livro, procuro conhecer onde e quando acontece a ação. Como leio muito, vários autores, de vários paises, preciso situar-me no tempo e no espaço.
Antes de mais nada é preciso saber que Agatha Christie era inglesa, escreveu de 1930 até mais ou menos 1970, e dos seus muitos livros quase 80% (incluindo os contos) 70 são passados na Inglaterra e 12 em outros paises. (Essa pesquisa não é muito garantida).
Esses livros estão distantes de nós, no tempo, em até 90 anos, e precisam ser lidos levando-se em conta esses fatores.
Os costumes, os hábitos ingleses, mesmo nos dias de hoje, são muitas vezes estranhos, imagine os costumes daquela época.
As casas têm nome, eles comem rins de cordeiro no café da manhã, tomam chá a toda hora, jogam bridge como se fosse uma devoção, dirigem pelo lado direito da rua e o dinheiro... Ah, o dinheiro de antes: soberanos, coroas, libra esterlina, guinéus, shillings, pence - ainda bem que hoje temos a libra dividida em 100 pence.
Naqueles tempos todo mundo fumava e era de bom tom ter cigarros em casa para oferecer às visitas; os ricos viajavam sempre com uma criada de quarto ou um valete - para ajudá-los a se vestir e desvestir; os jardineiros eram essenciais e não podiam faltar nas casas; usava-se tinteiro, pena e mata borrão e sempre havia na casa muitos selos do Correio.
Mas um hábito salutar e muito querido para mim são as viagens de trem. Como os ingleses viajavam de trem, chega a dar inveja. A.C. adorava andar de trem e seus personagens estavam sempre a bordo.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Os livros de Agatha Christie não são muito grandes e o número de páginas quase não excede 300. Ela dizia que 60 mil ou 70 mil palavras era um bom tamanho.
Há, também, os contos - histórias curtas e aí A.C. pode ser até considerada uma pioneira do Twitter. Em poucas palavras ela apresenta um personagem e faz dele uma presença marcante.
Por isso os livros de A.C. são fáceis de ler e fazem sucesso até hoje. Não são necessárias páginas e páginas, palavras e palavras, para se contar uma boa história policial.
Hoje os livros policiais tem mais de 500 páginas e algumas pessoas podem ficar "perdidas" lá pelo meio da trama. Minha mãe que até aos 90 anos era uma leitora voraz, lia tudo na diagonal. Ela dizia que só lia o "essencial".
A.C. não é Marcel Proust, Miguel de Cervantes, James Joyce, Gabriel Garcia Marques. Longe disso. Mas seus livros estão vivos até hoje, suas histórias são bem escritas e podemos ter o mesmo prazer hoje como na primeira leitura.